Sly Cooper - Thieves in Time

Depois vários anos longe dos fãs, Sly Cooper regressa para mais uma aventura, recheada de momentos cómicos e enriquecida pela enorme variedade de conteúdo ao dispôr do jogador. Mas depois de tanto tempo, será Sly ainda um franchise relevante?

Desta vez sob a alçada da Sanzaru Games, uma vez que a equipa da Sucker Punch acabou por se encarregar da criação da série Infamous, este novo episódio da série leva Sly, Murray e Bentley a visitar diversas Eras da história para perceber porque motivo as páginas do diário da família estão misteriosamente a desaparecer. A célebre equipa que junta um guaxinim, exímio na arte de usurpar tudo o que tiver valor monetário, um hipopótamo, bem disposto e sempre pronto a exercitar os músculos, e uma tartaruga com um QI ao nível de Einstein, viajam então na sua máquina do tempo, uma carrinha ao estilo Esquadrão Classe A, que os leva ao velho oeste, Arábia, Japão feudal, entre outros locais cheios de história. A atenção aos detalhes de cada época faz com que cada local visitado seja completamente diferente dos outros, tanto a nível visual, como ao nível do gameplay, existindo sempre novas formas de abordar a ação à medida que novos objetos e personagens com características próprias são desbloqueados.

O género das plataformas 3D tem neste jogo uma ótima representação, que faz uso de inúmeras mecânicas que vão sendo apresentadas pouco a pouco, à medida que avançamos na aventura. A frequente introdução de novos personagens jogáveis, e a possibilidade de comprar novos gadjets e movimentos para estes, proporcionam uma renovação constante do interesse do jogador. Murray, a tartaruga, é quem se encarrega de dar a conhecer tudo o que o jogador precisa de saber para completar as missões com sucesso, e fá-lo de uma forma detalhada mas ao mesmo simples o suficiente para que os mais jovens não percam pitada do que se está a passar. Mas nem só de plataformas vive este jogo. À mistura vamos ter de resolver alguns puzzles, que frequentemente se traduzem em mini jogos, como por exemplo quando é preciso hackear dispositivos, transformando o jogo num shooter horizontal, que até dispõe dos seus próprios upgrades e bosses, num jogo de tanques de perspectiva vertical, ou num circuito electrónico que usa o sensor Sixaxis para a navegação no mapa. Uma vez mais a simplicidade marca presença, mas é a profundidade destes mini jogos que irá surpreender o jogador.

Mas há mais. O jogo contém muitos elementos de exploração que expandem largamente a longevidade do título, e que podem ser deixados de lado para depois revisitar as áreas, e tentar reunir todos os objetos coleccionáveis, ou completar as missões adicionais. As áreas abertas também fazem com que em certas alturas possamos escolher qual a ordem dos objetivos que temos para cumprir, apesar de em última análise a missão ser apenas uma. O jogo usa um sistema de moedas, que poderemos recolher ao eliminar inimigos, ao destruir objetos do cenário, ou através das táticas furtivas em que podemos aliviar o peso dos bolsos dos guardas, sendo depois utilizadas para comprar os upgrades e novos movimentos, que permitem por sua vez criar novas formas de abordagem às missões. Existe muita escolha na altura de dar uso aos lucros acumulados durante as missões, pelo que é aconselhável explorar um pouco as áreas e reunir uma quantidade generosa de moedas para comprar os upgrades, muito embora nenhum deles seja efetivamente necessário para completar os objetivos do jogo. Trata-se apenas de dar mais profundidade ao jogo, e torná-lo mais acessível e divertido.

No campo visual é o cell-shading que dá vida ao jogo, que entra em sintonia com o lado cómico de toda a aventura, integrando-se perfeitamente nos vários períodos históricos, criando uma abundante diversidade entre áreas. O próprio design dos personagens transmite por si só um visual cartonesco que é depois acentuado pelo cell-shading. Existem também várias sequências animadas durante o desenrolar do jogo que dão conta do desenvolvimento da história, e apesar de não serem muito detalhadas, encaixam na perfeição no estilo sobre o qual todo o jogo foi construído, criando um todo visualmente bastante atrativo e divertido. A fluidez é também um dos pontos fortes, mantendo a animação estável na maioria do jogo, ainda que existam ocasionalmente alguma quebra de frames.

Sly Cooper - Thieves in Time é um pacote bastante atrativo para qualquer jogador. Dispõe de uma grande variedade, profundidade, e longevidade. A par com isto, a caracterização dos personagens irá fazer com que tenhamos sempre um sorriso nos lábios durante toda a aventura. A versão PlayStation 3, que usamos para esta análise, inclui a versão PS Vita do jogo, dando ainda mais valor à sua aquisição. O jogo também dispõe do modo 3D, para os que quiserem algo um pouco diferente, e que não se importem de sacrificar parte do detalhe visual. Recomendamos Thieves in Time para todas as idades, incluindo-o no conjunto de jogos que todos os possuidores de uma PS3 devem ter.

Componente Pontuação
Gráficos 8.5
Som 8.0
Jogabilidade 8.5
Longevidade 10.0
Dificuldade 7.5
Nota Final 8.5
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06 Maio 2013 | gestor
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