Brothers - A Tale of Two Sons
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Dos estúdios da Starbreeze, mais conhecidos pelo seu trabalho em The Darkness e Chronicles of Riddick, sai um inesperado e memorável jogo de aventura, capaz de fazer frente aos mais brilhantes títulos indie do mercado.

Com apenas 3 horas de jogo e sem qualquer tipo de valor para voltar a ser jogado, é sobre a história e a jogabilidade que recai o encanto de Brothers. Sem qualquer palavra perceptível a ser pronunciada pelo elenco de personagens, a história é contada pelas reações destes às situações, auxiliados por uma muito útil, e até por vezes exagerada, gesticulação. O que parece inicialmente ser uma típica aventura na busca da cura para uma doença pela pequena povoação da zona, rapidamente abre portas a uma busca de proporções épicas, com cenários de cortar a respiração. Embora a história em si não seja extensamente ramificada, são no entanto apresentados muitos elementos que expandem o mundo do jogo, criando contínuo interesse para o jogador, mas que permanecem, na sua maioria, sem qualquer tipo de explicação ou desenvolvimento. O próprio enredo principal, apesar simples, nada esclarece verdadeiramente, deixando ao jogador a interpretação dos acontecimentos. Seja o propósito da viagem, a busca pela árvore da vida, ou pela água divina, apenas o princípio é claro, encontrar a medicina para salvar a vida do pai dos personagens.

No campo da jogabilidade, este é um título que não esqueceremos facilmente. Nós controlamos 2 irmãos. Até aqui, tudo como manda o manual do programador. A diferença está em que controlamos ambos, em simultâneo e em tempo real. Com o notável trabalho da produtora em títulos de renome, enveredar por uma jogabilidade que poderia danificar irremediavelmente o jogo, e a reputação do estúdio, foi um grande risco, porém, o resultado é um trabalho único, extremamente polido, no que diz respeito à utilização de ambos os personagens ao mesmo tempo para realizar uma operação, que apenas peca por ter pouca variedade nos puzzles. Ainda assim, a experiência não é penalizadora uma vez que a limitada longevidade do jogo acaba por não permitir levar essa situação à exaustão.

A ação desenrola-se na maior parte das vezes numa perspectiva vertical sobre os personagens, e apesar da câmara não ser perfeita, existe também a possibilidade da sua rotação. Mas com esta perspectiva, ter uma verdadeira noção da dimensão dos ambientes é difícil, dai que a produtora poderá ter ido buscar alguma inspiração em outros jogos, como Assassin’s Creed, no qual em determinados pontos do mapa, poderemos ver uma visão geral da área. Não sendo aqui preciso escalar uma torre, basta sentar-mos o personagem em bancos de jardim estrategicamente colocados em zonas privilegiadas, sobre as quais a câmara irá dinamicamente mostrar as redondezas, que nunca são menos que espectaculares.

Os cenários têm diversos elementos interactivos, que ajudam a construir a parte humana dos personagens, criando reações diferentes para cada um dos irmãos quando sujeitos às mesmas situações. Se por um lado o irmão mais velho é mais educado e com uma personalidade mais forte, o mais novo é mais brincalhão, mas ao mesmo tempo, com uma maior vontade de aprender. É possível interagir com outros personagens e animais, existem alguns caminhos alternativos, mas infelizmente levam geralmente ao mesmo local, sendo o jogo bastante linear.

O trabalho artístico é brilhante. A banda sonora envolvente cria momentos perfeitos que aproximam o jogador ao mundo mágico e intrigante do jogo, suavizando a simplicidade do design dos personagens, e tornando-os de carne e osso. Os momentos dramáticos chegam ao limite de fazerem passar o jogador por todo um processo fúnebre, só sendo este poupado ao trabalho de escavação da cova. Não são muitos os jogos que requerem o auxílio do jogador para perpetuar um momento dramático, e poucos o fazem com sucesso, mas Brothers, é sem dúvida um destes. O sentimento de perda é cultivado ao longo de todo o jogo, culminando num final que deixa muito por explicar, mas que é ao mesmo tempo adequado. Trata-se de um jogo muito visual, que dá bom uso ao motor gráfico Unreal Engine 3, criando diversidade nos cenários, ainda que predominem os tons cinza e acastanhados, típicos deste motor.

A Tale of Two Sons é um daqueles jogos que no final sabe a pouco para o preço cobrado, mas que deixa a sua marca bem vincada na memória do jogador, juntando-se a outros jogos com os quais partilha semelhanças como Limbo ou Journey. É uma prova inegável de que a Starbreeze não procura apenas criar jogos comerciais, mas também jogos com profundidade e diferentes. Totalmente aconselhável a compra.

Componente Pontuação
Gráficos 9.0
Som 9.5
Jogabilidade 9.0
Longevidade 2.0
Dificuldade 5.0
Nota Final 9.0
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09 Agosto 2013 | gestor
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